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Do descobrimento ao desenvolvimento com sustentabilidade

22. abr
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Categoria: Artigo

Quando aqui chegaram, as caravelas portuguesas encontraram nossos povos originários que em Terra Brasilis viviam desde sempre. Um encontro, ou reencontro, mais do que necessariamente uma descoberta.

Os navegantes além-mar buscavam um novo mundo e o viram praticamente intacto quanto à abundância da natureza e imaginados infindos recursos. Por aqui não se conhecia a “civilização”, não havia “cidades”, nem o que um dia seria a “urbanização” …

Tratava-se apenas de exploração e colonização e ambas foram levadas a cabo por mais de 300 anos. Quando conquistamos a independência (1819) já éramos 5 milhões de brasileiros vivendo principalmente no nordeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro [1].

Logo no início (1825) dessa nossa caminhada por pernas próprias, José Bonifácio, Patrono da Independência, bem avisou como prenúncio e primeiro manifesto ambiental:

nossas preciosas matas vão desaparecendo, vítimas do fogo e do machado destruidor da ignorância e do egoísmo; nossos montes e encostas vão se escalvando diariamente, e com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes, que favoreçam a vegetação, e alimentem nossas fontes e rios, sem o que o nosso belo Brasil em menos de dois séculos ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia. Virá então esse dia (dia terrível e fatal), em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos.”

Vislumbrava ele “menos de dois séculos” e cá estamos já superado o primeiro quarto do novo milênio e seguimos destruindo a pleno vapor, “vapor” que configura um dos marcos de uma nova época “antroprocênica”, moldada agora por nós, “antropos” = homem.

Um dos nossos dons como humanidade é reconhecer que somos capazes de destruir, mas também de buscar caminhos para reconstruir. No final do sec. XVIII e início do sec. XIX nasce um novo conceito de proteção à terra e, claro, a nós mesmos: a delimitação de um espaço territorial como “Reserva Natural” ou “Parque Nacional” [2].

No Brasil, inauguramos em 1937 o Parque Nacional do Itatiaia (RJ e MG), nossa primeira Unidade de Conservação (UC). E em 2000, consolidamos o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Já são 3.300 unidades e crescendo.

As unidades de conservação são um ótimo caminho de proteção, como as APA’s – Áreas de Proteção Ambiental, que buscam o uso sustentável dos recursos naturais locais e a conservação da natureza.

Já os mais de 600 Parques Nacionais, áreas de proteção integral, trazem no seu entorno as Zonas de Amortecimento, território onde o desenvolvimento pode e deve acontecer, mas com responsabilidade socioambiental e sustentabilidade como princípio e fim.

Voamos 500 anos e voltamos à lua… Nem velho nem novo mundo, mas um só planeta. O desafio é grande, a caminhada é longa mas esse é o Nosso Futuro Comum.

[1] https://bicentenario.ibge.gov.br, consultado em 06/abril/2026.
[2] https://oeco.org.br/colunas/primeiro-parque-nacional-surgiu-na-asia/ , consultado em 06/abril/2026.

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