DÉCADA DA RESTAURAÇÃO – onde indica a dor
Florestas e paisagens são vitais para a vida no planeta, mas muitos destes ecossistemas enfrentam constantes processos de degradação. Diante deste desafio e a emergência climática global […]


Quando aqui chegaram, as caravelas portuguesas encontraram nossos povos originários que em Terra Brasilis viviam desde sempre. Um encontro, ou reencontro, mais do que necessariamente uma descoberta.
Os navegantes além-mar buscavam um novo mundo e o viram praticamente intacto quanto à abundância da natureza e imaginados infindos recursos. Por aqui não se conhecia a “civilização”, não havia “cidades”, nem o que um dia seria a “urbanização” …
Tratava-se apenas de exploração e colonização e ambas foram levadas a cabo por mais de 300 anos. Quando conquistamos a independência (1819) já éramos 5 milhões de brasileiros vivendo principalmente no nordeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro [1].
Logo no início (1825) dessa nossa caminhada por pernas próprias, José Bonifácio, Patrono da Independência, bem avisou como prenúncio e primeiro manifesto ambiental:
nossas preciosas matas vão desaparecendo, vítimas do fogo e do machado destruidor da ignorância e do egoísmo; nossos montes e encostas vão se escalvando diariamente, e com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes, que favoreçam a vegetação, e alimentem nossas fontes e rios, sem o que o nosso belo Brasil em menos de dois séculos ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia. Virá então esse dia (dia terrível e fatal), em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos.”
Vislumbrava ele “menos de dois séculos” e cá estamos já superado o primeiro quarto do novo milênio e seguimos destruindo a pleno vapor, “vapor” que configura um dos marcos de uma nova época “antroprocênica”, moldada agora por nós, “antropos” = homem.
Um dos nossos dons como humanidade é reconhecer que somos capazes de destruir, mas também de buscar caminhos para reconstruir. No final do sec. XVIII e início do sec. XIX nasce um novo conceito de proteção à terra e, claro, a nós mesmos: a delimitação de um espaço territorial como “Reserva Natural” ou “Parque Nacional” [2].
No Brasil, inauguramos em 1937 o Parque Nacional do Itatiaia (RJ e MG), nossa primeira Unidade de Conservação (UC). E em 2000, consolidamos o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Já são 3.300 unidades e crescendo.
As unidades de conservação são um ótimo caminho de proteção, como as APA’s – Áreas de Proteção Ambiental, que buscam o uso sustentável dos recursos naturais locais e a conservação da natureza.
Já os mais de 600 Parques Nacionais, áreas de proteção integral, trazem no seu entorno as Zonas de Amortecimento, território onde o desenvolvimento pode e deve acontecer, mas com responsabilidade socioambiental e sustentabilidade como princípio e fim.
Voamos 500 anos e voltamos à lua… Nem velho nem novo mundo, mas um só planeta. O desafio é grande, a caminhada é longa mas esse é o Nosso Futuro Comum.
[1] https://bicentenario.ibge.gov.br, consultado em 06/abril/2026.
[2] https://oeco.org.br/colunas/primeiro-parque-nacional-surgiu-na-asia/ , consultado em 06/abril/2026.