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O que sustenta a vida urbana

20. abr
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Categoria: Artigo

O novo século trouxe uma taxonomia das recentes gerações — X, Y, millennials, Z, Alpha — marcando a transição da vida analógica para a digital totalmente conectada e hiperrealista.

O consumo é via entregas, a mobilidade também é por plataformas e aplicativos, os olhos sempre em tela. Como tudo chega empacotado, ultraprocessado e embalado, a origem das coisas está a um click ou pergunta que roda num algoritmo de busca e resposta.

De onde vem o que comemos, o ar que respiramos, a água que bebemos? Do supermercado, do ar condicionado e da companhia de abastecimento. Para onde vai o lixo? Aterramos. Um novo ciclo de vida fechado e enredado em si mesmo, a economia dos indivíduos. Assim caminha a humanidade num processo claramente insustentável.

A vida, a moda, a lua, a fertilidade, todo o universo é regido por épocas e ciclos, as marés vem e voltam. O prazer de ouvir o som do vinil retorna, renasce os clubes de leitura e de correspondência, o papel, o tato, os sentidos voltam a clamar por seus espaços sagrados.

Junto com tudo isso veio a reconfiguração do espaço geográfico para além das nações dominantes do norte e as emergentes do sul global, um novo desenho de “manchas urbanas e arranjos populacionais” que formam as grandes metrópoles do mundo.

O que sustenta a vida nestas cidades é tudo que está fora delas: os campos e lavouras da pecuária e agricultura, os inúmeros cursos d’águas, rios voadores, lençóis freáticos e bacias hidrográficas que alimentam os grandes reservatórios e sistemas de abastecimento, a paisagem e a vegetação que ainda equilibram as condições do clima, cada vez mais marcada por eventos extremos.

Todo esse conjunto de benefícios ambientais vem de áreas rurais e das recentes unidades de conservação. O Brasil, a partir de 2000, consolidou seu Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) que hoje reúne 3.300 unidades entre as de uso integral (ex. Parque Nacional) e de uso sustentável (ex.: APA – Área de Preservação Ambiental).
Nestas áreas e nos seus entornos, também chamadas de Zonas de Amortecimento, onde o rural e o ambiental se entrelaçam com o urbano e o empresarial, é que a preservação se decide e o desenvolvimento deve ocorrer com sustentabilidade.

Os empreendedores e lideranças à frente das organizações da sociedade civil (OSC´s) atuam nestas zonas de transição promovendo e articulando o diálogo com os diversos públicos impactados: gestão pública, iniciativa privada, comunidades, povos originários, proprietários rurais e equipes das unidades de conservação.

Este processo de encontros, debates, alinhamentos, encaminhamentos e ações é a nova prática de governança socioambiental, que integra os atores do território em prol de um objetivo comum que une preservação e sustentabilidade com desenvolvimento e prosperidade.

Tudo isto realizado de forma transparente, colaborativa e compromissada é que ajuda a mitigar os efeitos dos riscos climáticos e a sustentar de forma saudável e perene a vida nas cidades e no planeta.

E entre as nossas cidades separadas
as noites, uma a uma,
se juntam à noite que nos une.”
(Neruda)

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